Pastoralidade, Confessionalidade e Gestão na Educação

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Pastoralidade, Confessionalidade e Gestão na Educação

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A educação confessional católica é uma realidade pungente em todo o Brasil. Apesar do movimento contínuo de secularização da sociedade que reposiciona a religião num contexto cada vez mais privado na vida das pessoas, muitas pessoas confiam nas escolas católicas e as buscam por acreditar que elas têm algo a mais para oferecer. Sempre marcada pela excelência do ensino aliados aos valores humanistas construídos a partir de sua rica tradição espiritual, a educação católica vê-se atualmente diante de alguns dilemas.

O primeiro deles, está ligado à dinâmica acelerada das tecnociências e a exigência de produzir novidade e inovação em quatro ordens: inovação científica, tecnológica, organizativa e axiológica. Essa reinvenção pode assumir duas posturas: uma ruptura com a confessionalidade por incompatibilidade, fazendo com que muitas instituições sejam vendidas ou transferidas para grupos econômicos que garantem uma sobrevivência financeira melhor às custas da perda de sua identidade confessional ou uma adaptação contígua por uma renovação de práticas de gestão aliadas com a uma reconfiguração da identidade confessional.

O segundo dilema é perda de sentido da confessionalidade no mundo contemporâneo, afinal, diante de tantas propostas mais estruturadas e mais propagandeadas, as escolas católicas parecem ter pouco a oferecer, restringindo seus valores a uma pequena parcela de crentes que ainda os sustentam. Fato é que a confessionalidade pode ser escanteada nas instituições em nome de avanços pedagógicos que são bem-vindos, mas que não exigem necessariamente uma descompressão confessional. Aliás, a confessionalidade pode ser um motor de renovação e atualização das práticas pedagógicas se compreendida sob prismas mais dinâmicos e contextualizados.

O terceiro dilema, diz respeito à pastoralidade destas instituições, ou seja, a sua capacidade de cumprir com a função evangelizadora que assumem uma vez que são escolas confessionais. Em muitos casos, a pastoralidade ou dimensão pastoral da escola é vista de forma isolada, noutras cindida com a dimensão pedagógica e noutras reduzida a um aspecto religioso alheio ao contexto da escola. Nesses casos, fica evidente o quanto a pastoralidade da escola perde sua potencialidade evangelizadora por causa de visões muito estreitas sobre o que é evangelização, o que é pastoral e, no fundo, o que é a Igreja. Uma benfazeja revisão desses conceitos, com fidelidade ao magistério contemporâneo e em diálogo com a multiplicidade da realidade circundante, pode fazer da dimensão pastoral da escola uma mola propulsora que além de semear o Reino de Deus, torna-se um caminho de amplificação da escola melhorando a gestão, o ensino e, até mesmo, sua vida financeira.

O enfrentamento destes dilemas significa garantir a continuidade da educação católica de maneira atualizada e viva, mostrando-se relevante tanto no contexto social-econômico como no contexto eclesial. As escolas católicas podem oferecer à sociedade e à Igreja muitas possibilidades de compreensão, modulação, formação e evangelização. Entretanto, mostra-se necessária uma apropriação mais bem fundamentada e preparada da educação confessional que seja capaz de intercruzar saberes e competências. A complexidade do ecossistema escolar católico exige educadores, gestores e agentes de pastoral que sejam interlocutores eficientes que transitem pelas suas áreas de domínio, mas também por outras áreas do conhecimento. Ao gestor da escola católica não basta ser bom gestor, é preciso que saiba gerir dentro da dinâmica que a confessionalidade propõe. Ao educador, coordenador e professor não basta ser competente em sua função, é preciso que saiba aplicá-la a contextos mais amplos que contemplem também a missão evangelizadora da escola. Ao agente de pastoral não basta que saiba evangelizar, mas precisa fazê-lo conectado ao contexto gestor e pedagógico da instituição, atento, inclusive, aos sinais dos tempos, com uma sensibilidade especial para compreender o público e as metas de seu trabalho evangelizador.

Até o momento, não se sabe de algum curso que faça o devido entrecruzamento entre essas áreas, aliando teologia, práticas pastorais e gestão de modo integrador satisfatório. Na maioria das vezes, cursos de formação são focalizados em gestão ou em pastoral ou em práticas pedagógicas confirmando a cisão que produz escolas menos eficientes e menos produtivas. A proposta dessa pós-graduação está numa convicção de que a transdisciplinaridade oferece uma visão ampla e profunda simultaneamente porque parte de uma concepção integralizadora do trabalho educativo e não de uma visão ainda moderna de saberes compartimentados.

Gestores das escolas confessionais (religiosos, diretores, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, supervisores, analistas de rede); agentes de pastoral das escolas confessionais; educadores e professores das instituições confessionais.

O objetivo geral desse curso de pós graduação latu senso é oferecer formação sólida e transdisciplinar aos envolvidos com a educação confessional católica a fim de lhes permitir uma atuação qualificada, fecunda e atualizada para que respondam aos desafios do tempo presente de maneira fidedigna ao Evangelho e ao Reino de Deus.

Como objetivos específicos, este curso pretende:

a)   Relacionar evangelização e gestão como maneira de apreender a complexa realidade da educação confessional;

b)   Ampliar o conceito de evangelização para que o trabalho pastoral e gestor das instituições seja mais efetivo e adequado à realidade plural do mundo contemporâneo e para que produza frutos concretos para o Reino de Deus;

c)   Compartilhar práticas de ação pastoral e gestão para potencializar o trabalho das escolas católicas nas diversas frentes e segmentos que atua;

d)   Solidificar conhecimentos teóricos necessários ao trabalho educativo com especial sensibilidade aos desafios atuais da sociedade.